sábado, 27 de maio de 2017

A vida dos outros

Porque será que nos interessa tanto a vida dos outros? Só pode ser porque a nossa não tem interesse nenhum!

HSC

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Um mundo desesperado

Há uns meses escrevi aqui um post sobre o medo. Medo como forma de vida, que é o pior medo que se pode ter. A Inglaterra foi novamente alvo de um ataque terrorista. Nestas ocasiões não há nacionalidade que conte. Há exclusivamente humanidade, comunhão de sofrimento perante todos os jovens que num concerto perderam a vida. Num concerto que se sabia ser frequentado por gente nova. 
Não sei como os pais poderão conviver com a imensidão desta dor. Sei o que é perder um filho. Sei o que é esperar por essa morte dois anos. Mas não imagino o que seja dar o beijo de um até logo que se não verifica. Só de pensar nisso fico com um nó na garganta e um aperto no coração.
Este indivíduo nasceu na terra que acolheu a sua família. Era nado e criado como inglês. O que é que pode ter virado a sua cabeça e levá-lo a este crime de ódio? Confesso que sinto uma revolta imensa. E muito receio, também, de que tenhamos de nos habituar a viver de paredes meias com o medo, esse sentimento que nos paralisa, nos cerceia, nos amputa.
Estou com a Inglaterra, estou com os ingleses, estou com os pais que perderam os seus filhos, estou com os jovens a quem deixamos um mundo desesperado.

HSC

terça-feira, 23 de maio de 2017

Um dos meus "anjos"


Tranquilizem-se que hoje a matéria, pese embora o título, não é religiosa. Já por várias vezes aqui vos tenho falado das médicas e dos médicos que me protegem e acompanham. Uma oftalmologista, um cardiologista, um dentista e a Isabel Galriça que é o meu SOS para tudo o resto.Todos eram ou se tornaram meus grandes amigos.
Nunca vos tinha falado do meu internista e, no entanto, ele é alguém que já me conhece bem. Lembro-me que o escolhi, há uns anos, quando decidi que era a altura de ter um clínico que me acompanhasse de forma mais sistemática. Informações recolhidas junto de alguns colegas e amigos, apontavam um nome. Tratava-se de um médico do SAMS, do qual sou beneficiária, pelo meu passado na banca, mas também tinha consultório próprio. 
A primeira vez que o procurei ia bastante desanimada porque estava com um problema ocular sério que a minha querida Isabel Almasqué começara a tratar. Fiquei encantada pela forma calorosa, distendida e interessada como fui acolhida e que se havia de manter ao longo dos anos sempre igual.
Trata-se do Dr Faustino Ferreira, que hoje dirige clinicamente o Hospital do SAMS e é alguém em quem deposito total confiança. É um médico que está sempre contactável, que nos atende o telefone como se o tempo fosse todo nosso, que jamais se impacienta. Enfim, é alguém que faz da medicina uma vocação e não uma carreira. E é também alguém que sabe ouvir e compreender.
Tive recentemente que ser submetida a uma pequena intervenção que não correu como se esperava. A paciência, o acompanhamento, a disponibilidade que teve comigo foram inexcedíveis. Só quem passa por uma destas pode avaliar a importância de ter um médico que gosta dos pacientes e se comporta como amigo que é.
E, como exerce clínica privada, estou perfeitamente à vontade para o recomendar a quem deseje ser tratado com muita competência e humanidade, combinação cada vez mais rara entre nós.

HSC

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Quem corre por gosto...

Terminei hoje o segundo ano das aulas de Filosofia, sem ter dado uma única falta. Aprendi imenso e para 2018 lá estarei, se ainda cá estiver. Ando cansada e com problemas de saúde que degeneraram em encrencas sem muito bem se perceber como. Enfim, elas não matam mas moem...
Acontece que, apesar de tudo, sou pouco dada à meditação profunda sobre aquilo que deveria ter corrido bem mas correu mal e tenho sempre tendência para acreditar que alguma razão terá havido para me acontecerem certos azares. 
Ora a Filosofia tem a vantagem de nos fazer olhar para nós próprios como um todo - o ser que somos - e para certas particularidades que nos tornam distintos. Aqui tive algumas surpresas. Sobre mim e sobre o "outro" que também sou.
E há pouco, quando entrei em casa e larguei tudo o que trazia nas mãos - quilos, por mais bizarro que pareça - para me meter na banheira e tomar um duche - eureka -, percebi que "quem corre por gosto, não cansa". Ou, dito de outro modo, cansa, mas com um banho, passa!

HSC

sábado, 20 de maio de 2017

A nova moda: o nesting

Quando se tem alguma experiência de vida, é impossível não sorrir face a certas novas modas. Quem assistiu, como eu, ao "make love, not war" e viveu o bastante, para assistir, em seguida, a um outro movimento denominado de "coccooning" - que pretendia mostrar, depois das loucuras dos anos sessenta e setenta, as vantagens de se viver mais em casulo, dentro da própria casa, na qual toda a vida se desenrolava -, já não se surpreende com o que possa surgir, porque sabe que outros modismos hão-de surgir. 
O mais recente way of life faria sorrir a minha avó Joana. Trata-se de uma corrente de bem estar, própria dos jovens millennials, que significa fechar-se literalmente em casa durante o fim de semana, para dedicar todo o tempo a tarefas relaxantes, como fazer trabalhos manuais, tricotar,  cuidar das plantas, ler um livro ou ver séries televisivas placidamente estirado num sofá... e disso retirar imenso prazer.
Confesso-vos que sou praticante e defensora deste tipo de descanso caseiro, que considero cada vez mais apetecível, depois de semanas e semanas de árduo trabalho. E, no meu caso, esta opção vai mesmo para além do descanso, já que ela me permite um encontro comigo própria do qual necessito para o meu equilíbrio espiritual e pessoal, orientado para um autoconhecimento, um olhar interior do qual me não quero desfazer porque me traz uma espécie de re-enfoque a uma vida mais plena e mais feliz. 

HSC

sábado, 13 de maio de 2017

Igreja: um bispo chamado Januário...(10)


"...Depois de anos a anunciar apocalipses sociais, subúrbios em chamas, multidões inanimadas pela fome, andava dom Januário Torgal Ferreira mediaticamente sumido até que Nossa Senhora de Fátima o tirou de tal recato (ainda duvidam de milagres?). Isto para dizer “Escandaliza-me que as pessoas só rezem àquela imagem, que se despeçam dela a chorar, na Procissão do Adeus. Eu nunca me despeço de Nossa Senhora, porque ela está sempre comigo. Aquilo para mim não é nada, é um pedaço de barro!”
Valha-lhe Deus, senhor dom Januário, e Nossa Senhora que, segundo diz, sempre o acompanha o que não é certamente o menor dos trabalhos da Mãe de Cristo! A imagem é de madeira, de madeira dom Januário!!! E tem uma história que me abstenho de contar porque o texto já vai longo mas que o senhor dom Januário ainda vai a tempo de aprender. Acredite que lhe fazia bem."

                                   Helena Matos in Observador

Acontece que dom Januário, além de peregrino, é Bispo Emérito das Forças Armadas e Segurança. Ou seja, tem responsabilidades acrescidas, quando emite opiniões. Pelo menos, enquanto ocupar certos lugares. 
Assim sendo, que dizer mais, além do que Helena já tão bem diz? Acrescentaria, talvez, que estando por lá a peregrinar, melhor seria que se tivesse limitado, apenas, a orar... 

HSC

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Igreja: um peregrino chamado Francisco (9)

Há momentos assim. Decidimos fazer uma coisa e tudo contraria a nossa decisão. Ontem, ao ouvir Manuela Ferreira Leite, sorri. Ela afirmou no seu comentário semanal que, hoje, iria estar de olhos pregados na televisão, com imensa pena de não ter podido ir a Fátima. Sorri, porque tinha decidido fazer, exactamente, o mesmo...
Oxalá ela tenha conseguido cumprir. Eu, pelo meu lado, só consegui ligar o aparelho, na intimidade da minha sala, eram seis horas da tarde e demorei algum tempo a libertar-me do incómodo de não ter podido faze-lo antes.
Mas, uma vez liberta desse peso, segui até à hora em que escrevo estas linhas, todos os passos de Francisco peregrino, que chegou a Fátima como caminhante especial e se recolheu, terminado o terço, sentado ao lado do motorista, vincando bem, com essa atitude, que não queria que a atenção dos orantes se desviasse de Maria. 
Será um pequeno gesto que, muito possivelmente, até terá passado despercebido de muita gente. A mim, tocou-me particularmente. Este Papa tão mediático é, também, o Papa dos pequenos gestos. E, confesso, são estes que mais me comovem, porque justamente são aqueles que mais definem a sua forma de ser representante de Deus na Terra. E, no caso vertente, de ser Filho de Maria!

HSC

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Hei-de perguntar à Lisete, amanhã...

A rotina era sempre a mesma. Saía de casa mal amanhado e ia para o jardim do Principe Real. Agora nem isso, aquilo estava transformado num pandemónio, nem o seu banco lhe deixaram, tão atafulhado aquilo estava. Nem sei porque é que para aqui venho pensava enquanto apertava a banda do casaco, que a manhã estava fria. Era a Lisete que o levava ali. A Lisete quando era viva, pois fora naquele banco de jardim que a conhecera. Ela tinha-lhe sorrido e foi esse sorriso que os havia de juntar. Tanto amor. E o José era a prova, não se lembrava de quando é que o vira, mas sabia que ele estava bem, porque senão alguém havia de lhe dizer que ele estava mal. 
A tosse, esta maldita tosse, que viera com o fim do tabaco, mas ao preço a que ele estava, como não deixar de fumar? Fora isso que o médico do Centro de Saúde lhe tinha dito, que não havia dinheiro para vícios. 
Lá estava o banco cheio de embrulhos, paciência, ia-se sentar no da frente. A Lisete havia de gostar de saber que ele continuava a ir ao jardim dela. Mas este banco apanhava sol e ele queria mesmo era sombra. Sombra? Sombra que bastasse tinha ele lá no quartito onde vivia. Apesar disso, não se mexeu. 
Para quê mexer se daqui a bocado o sol vira sombra, era o que lhe diria a Lisete que já explicara isso ao filho. Será que o Zé também terá explicado o mesmo ao filho dele? Como é que o miúdo se chamava? Parece que era Bernardo, mas que nome mais esquisito. Mas ele não conhecia o garoto, por isso não tinha que o chamar. Se a Lisete fosse viva havia de saber chamá-lo, mas talvez esteja enganado. Hei-de perguntar à Lisete, amanhã...

HSC

terça-feira, 9 de maio de 2017

BB


Acabo de saber que faleceu Baptista Bastos. Era um homem de quem eu gostava e as vezes que com ele contactei revelaram sempre a sua delicadeza para comigo. Era um personagem controverso e isso era também um dos seus encantos. Fazem cada vez mais falta pessoas que pensem de forma politicamente incorrecta. 
Tenho verdadeira pena que tenha partido. À familia os meus sinceros pêsames.

HSC

sábado, 6 de maio de 2017

No Dia da Mãe

"...É por isso que as mães tremem mas não desesperam, têm medo mas não se resignam, choram mas não sucumbem. E se algumas vezes dão a impressão de desaparecer da vida de um filho é só para os fazer encontrar mais fortes no momento seguinte."

                                         In Pastoral da Cultura

Este é um dos poucos dias que tem especial significado para mim, porque ele  evoca as duas mulheres fortes da minha família. Eram guerreiras que nada quebrantava na defesa das suas crias. Não havia medo que as vencesse, apesar de pertencerem a um mundo que, à época, pouco as terá valorizado.
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Não importa. Não foi preciso, porque elas criaram filhas e netas que deram corpo à luta que travaram. Neste dia, relembro com orgulho, o caminho que ambas permitiram fosse o meu. À minha mãe e à minha avó Joana, fica o meu eterno reconhecimento por tudo aquilo que, com as duas, aprendi!

HSC

António Pires de Lima


Morreu hoje António Pires de Lima e eu estou abaladíssima com o seu desaparecimento. Era, seguramente, um dos amigos e profissionais que eu mais respeitava e a quem devo ter sido, sempre, o mais correcto mensageiro de todos os casos em que o tive por advogado.
Foi de uma honestidade quase em extinção nos dias de hoje e uma boa parte da sua doença ter-se-á ficado a dever à tristeza que a perda de valores no país lhe provocava.
Não falo agora da sua carreira profissional que se sabe ter sido brilhante. Falo do homem, do amigo, do marido, do pai de uma família de que devia certamente orgulhar-se. E não esqueço aqui o papel da  Maria José, essa companheira de uma vida, que soube sempre ser o forte esteio daquilo que a sua família hoje é.
Não sou mulher de grandes lágrimas, porque fui educada a reservar os desgostos e a partilhar as alegrias. Mas a morte do António apanhou-me de forma tão inesperada, que os meus olhos estão velados ao escrever esta linhas. Que descanse em paz e que um dos meus, que já partiu, saiba dar-lhe à chegada, o merecido abraço. À viuva e aos filhos, que tanto prezo, vai todo o meu afecto. E faço votos que todos os que o conheceram e estimaram,  possam hoje rezar por ele.

HSC

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Houve um tempo

Houve um tempo em que acreditei que a grosseira linguagem usada por alguns políticos era apenas apanágio nosso. E pensava que isso resultava de muitos anos de uma política que não tinha em devida conta nem a educação nem a cultura. Seria, portanto, natural que quando o pais gozasse, pela primeira vez, de liberdade de expressão, esta se soltasse em modos menos eruditos. 
Os anos foram passando, a democracia foi-se instalando, o contacto com o exterior alargado, a ileteracia diminuindo com a obrigatoriedade escolar, os debates políticos estendendo-se a todos os canais televisivos, enfim, o país melhorava e até já integrava essa elite que se concentra toda na União Europeia. Ao fm de quatro décadas de progressos e vicissitudes, Portugal existia.
Talvez por isso, com o correr dos anos o país acabou por se assemelhar aos seus parceiros europeus, abandonou muitos dos seus hábitos e transformou-se. Hoje as duas nossas grandes áreas culturais são a política e o futebol, onde os debates se multiplicam e a linguagem atinge o nivel da latrina. 
O fenómeno não é só nosso, claro. Ao assistir, há dias, na integra, ao debate entre os dois "adversários" à presidência francesa não pude deixar de  relembrar o que vi e ouvi nos debates para presidência americana. E, pensando nisso, temo ter chegado a uma dolorosa conclusão. É que na política - e se calhar, também, no futebol -, se estes líderes se permitem usar a tal linguagem abaixo de zero, é porque entendem ser este o nível verbal que o seu eleitorado escuta e entende.
Se assim for, o mundo vai tornar-se um lugar muito perigoso e Portugal irá fazer parte dele. Julgo que os nossos netos irão, um dia, pedir-nos contas desta herança que lhes deixámos..

HSC

Entre a espada e a parede...


Num descarado roubo do post do Pedro Correia, no Delito de Opinião, elenco em seguida os 25 Destaques do programa eleitoral do candidato presidencial francês Emmanuel Macron, fundador do movimento Em Marcha:

1. Redução de um terço do número actual de deputados e senadores.
2.  Supressão do regime especial de aposentação dos deputados.
3. Generalização do voto electrónico até 2022.
4. Paridade absoluta de género nas listas eleitorais.
5. Cumprimento intransigente do direito à igualdade de género no espaço público francês.
6. Alteração do mapa administrativo, com a supressão de um quarto das entidades territoriais hoje existentes.
7. Criação de um estado-maior permanente de operações de segurança interna como peça fundamental na luta contra o terrorismo.
8. Encerramento de templos e associações religiosas onde se faz a apologia da violência e do terrorismo.
9. Anulação de novas missões militares francesas no estrangeiro, salvo em casos de legítima defesa.
10. Prioridade absoluta à cibersegurança e à ciberdefesa.
11. Reforço do orçamento da defesa até atingir 2% do orçamento anual francês.
12. Fixação de um tecto máximo de 0,5% do défice estrutural das finanças públicas até 2022.
13. Grande plano de investimentos públicos, orçado em 50 mil milhões de euros, destinados à qualificação dos recursos humanos, à modernização dos serviços públicos, à transição ecológica e à reabilitação urbana.
14. Introdução de mecanismos de controlo do investimento estrangeiro para preservar os sectores estratégicos.
15. Redução do imposto sobre as sociedades, de 33,3% para 25%.
16. Primado aos acordos de empresa no estabelecimento de novos contratos laborais.
17. Redução para 7% do desemprego nos próximos cinco anos.
18. Supressão de 120 mil postos de trabalho na administração pública.
19. Flexibilizar os horários de funcionamento dos serviços públicos.
20. Acelerar a convergência dos sistemas de pensões e reformas.
21. Criação de 30 mil apartamentos sociais para os jovens.
22. Redução do número de canais públicos audiovisuais.
23. Oposição ao alargamento das actuais fronteiras da NATO.
24. Manutenção das sanções à Rússia.
25. Alargamento a mais cinco países do número actual de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (com inclusão da Alemanha, do Brasil, da Índia, do Japão e de um país africano a designar).

O 26 ponto seria, talvez, o de perguntar como e com quem vai o jovem futuro Presidente da França pôr em marcha este programa. Não há "guião" que resista, nem com o melhor dos actores. Para quem, como eu, considera aquele país a sua segunda pátria, é grande a tristeza ao vê-lo entre a espada e a parede, ou seja entre a senhora Le Pen e o Senhor Macron...

HSC 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A tentação

Os deputados da Comissão de Inquerito à  Caixa Geral de Depósitos, vão finalmente receber toda a informação pedida a esta instituição, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e ao Banco de Portugal.
Pode compreender-se o objecto desta Comissão – que é o de avaliar a gestão do banco público desde o ano 2000 - porque se torna essencial perceber, ao pormenor,  como é que uma instituição bancária daquela dimensão conseguiu chegar ao estado que nós conhecemos.
E o que conhecemos é, basicamente, que a Caixa, não só recebeu várias ajudas como teve os seus de prejuízos levados ao Orçamento do Estado e ainda acabou a necessitar de uma recapitalização de mais de cinco mil milhões de euros. Esta é a face visível de um dos lados do problema.
Mas há outra face, não menos importante e não menos grave. E que decorre do facto do Parlamento ir receber um importante acervo de informação bancária, que se reveste de carácter extremamente sensível.
Se os deputados da CPI não tiverem todo o cuidado no manuseamento desses documentos e cederem à tentação de os usarem ou como forma de voyeurismo ou como arma de arremesso político, o país corre um enorme risco.
A tentação vai ser grande e os deputados têm nas suas mãos uma tarefa gigantesca. Oxalá tenham em vista que, mais do que nomes enxovalhados e julgados na praça publica, o que o país precisa de saber é se houve comportamentos criminosos. E que, em caso afirmativo, se enviem as respectivas conclusões aos orgão competentes e se aguarde a decisão da Justiça.

HSC

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Se Deus quiser


Este é o titulo de um filme estreado em Lisboa e que o meu filho quase me arrancou de casa para ir ver. É uma história muito bem contada, sobre uma família que se prepara para ouvir do filho, a confissão que é gay e que tem a maior das surpresas quando é confrontada com a sua verdadeira escolha.
É uma comédia italiana que fala sobre o sentido de certas vidas, mas com um esplêndido sentido de humor. Não se trata de um filme para intelectuais, o que, só  por si, pode já ser motivo para se ver. Mas os temas que se abordam têm interesse e, para mim, valeu mesmo a pena!

HSC

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A 1 de Maio

Hoje, para mim, foi dia de descanso, pese embora nele celebrasse o nascimento do meu filho Miguel, com o parto mais trabalhoso que se possa imaginar. Só de o relembrar até me dá calafrios! 
De manhã fui com uma amiga ver o mar, preocupada que ela estava de como eu me pudesse sentir neste dia. Fez-me muito bem.
Depois do almoço, já tarde, falei aos netos e fui visitar S. José, que é o meu padrinho de baptismo. E por lá fiquei em amena conversa com ele, perto de uma hora. Serenou-me muito aquele silêncio vivido na luz coada da abóbada de vidro colorido da Igreja
Voltei para casa e tive a companhia, ao jantar, do meu filho mais novo. Falámos da política francesa e ainda demos umas boas gargalhadas. Tentámos e conseguimos que o aniversário do Miguel fosse algo de muito nosso, como há muito desejávamos que fosse e ainda não tínhamos conseguido. 
Este ano foi assim, tranquilo, e espero que, no futuro possamos os dois continuar, este necessário processo de desmistificar a dor e celebrar a alegria.

HSC