sexta-feira, 21 de abril de 2017

Perfeitamente dispensável

"A Vista Alegre tem várias esculturas de Nossa Senhora, mas uma delas em particular foi alvo de piadas na Internet durante, esta quinta-feira. Em causa estava o formato da estatueta de cristal, que várias pessoas comentaram ser semelhante à de um objecto de cariz sexual. 
A escultura faz parte de uma colecção da autoria de Cristina Leiria, dedicada a Nossa Senhora de Fátima, e está à venda no site da Vista Alegre por 128 euros. A colecção inclui ainda reproduções de Jacinta e Francisco e uma taça (todos 52 euros)."
                                                  in jornal O Público
Ignoro o que pretenderá uma empresa com o perfil da Vista Alegre ao pôr à venda uma imagem em cristal que, de facto, se assemelha a um símbolo fálico. Se visou ofender aqueles que são devotos de Fátima, escolheu a altura mais lamentável para mostrar o conceito que preside aos seus fins. Se considerou a escultura uma obra de arte, então, alguma coisa bizarra se deverá ter passado na sua tradicional avaliação do que é uma peça artística. 
Qualquer que tenha sido a sua intenção, esta não foi a melhor forma de mostrar a nacionais a sua coleção de imagens da Virgem, nem a de levar o nome do santuário por esse mundo fora. Apenas espero que as vendas correspondam à indignação sentida por muitos de nós!
HSC
Nota: Como é evidente, não reproduzi a imagem...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ser resistente

Subia tranquilamente a Av. da Liberdade, quando soube de mais um atentado em França. Mais um crime. Agora cometido nos Campos Elísios, nessa imensa avenida, numa tentativa de inculcar o terror nos cidadãos. É preciso reagir, mesmo que tenhamos medo ou a alma desfeita. É isso a que se chama o amor à pátria. É isso que se chama o amor à liberdade. É isso que faz de nós resistentes!

HSC

Sair de Portugal...mas voltar!

Se há alguma coisa de que tenho absoluta certeza, é do meu entranhado amor a Portugal. Sempre fui assim, desde que tenho memórias da minha vida. Fosse com Salazar, com Marcelo ou com qualquer dos governos que se lhe seguiram, o meu amor pelo país esteve sempre muito acima das formas políticas que o país atravessou.
Um longo período houve, em que a vida profissional me obrigou a viajar por todo o lado. Conheço as quatro partidas do mundo, se exceptuarmos a Austrália, pais que ainda teria visitado se não fosse a minha existência ter dado uma volta e eu ter decidido mudar de rumo e de ramo.
Estas viagens - algumas bem longas - se me enriqueceram como pessoa, não raras vezes me entristeceram, por ter de deixar à família os filhos ainda pequenos. Como quase tudo na vida aquilo que tem um lado muito bom, também tem, por norma, um preço a pagar.
Hoje, à distância, percebo a importância que tiveram esses anos. Alargaram os meus horizontes, permitiram-me conhecer pessoas que me ensinaram a viver melhor e, finalmente, foram eles que estiveram na base de ter encontrado o amor da minha vida.
Mas sempre que o avião se aproximava de Portugal e se começavam a distinguir as casa ou as suas luzes, havia dentro de mim a alegria especial de "voltar ao meu lugar". Creio que só aqueles que gostam muito, mas mesmo muito, desta terra, podem perceber o que eu sentia e continuo a sentir quando retorno.
França foi o meu segundo país e a sua capital o meu segundo lar. Houve mesmo uma altura que ela esteve muito perto de se tornar o primeiro. Não quis o destino que assim fosse. Mas, até nessa circunstância, que me teria tornado muito feliz, tenho a certeza de que isso só aconteceria porque tinha a garantia de uma alternância entre as que, então, seriam as minhas duas casas.

HSC

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Uma dieta tentadora...

Quando desponta a Primavera, enchem-se os ginásios e as livrarias são inundadas de livros de dietas. Julgo que acontecerá o mesmo aos consultórios dos nutricionistas. E eu - que nunca pus o pé num ginásio – considero que, na minha idade, a única opção é sempre entre a cara e o rabete. A expressão popular é mais incisiva, mas eu sou uma pessoa educada e refinei-a para uso neste blog.
Eu escolho sempre a cara e portanto é a comidinha que controlo. Dito isto, a Rita Rocha de Macedo, muito simpaticamente, enviou-me o seu primeiro livro intitulado "A Dieta Prática" que, confesso, me cativou.
É que o livro não relata apenas um regime alimentar - equilibrado, variado, fácil de adoptar – mas também dá sugestões sobre a forma de o incluir num quotidiano de... apenas 28 dias de dieta. E, para nos ajudar, a autora acrescenta não só umas apetitosas receitas, como prepara a listagem de tudo o que as pessoas precisam de ter e fazer, para cumprir com o objectivo de perderem peso.
A mais ocupada das criaturas conseguirá cumprir os 28 dias desta dieta, desde que, para o efeito, os planeie. Ora também é isso que a nutricionista ensina a fazer, passo a passo, sem complicações.
O mais curioso é que este livro nasceu do desenvolvimento de uma página que a autora criou no Facebook, intitulada Dieta da Crise, através da qual centenas de pessoas já perderam peso. Muitas delas dão aqui o seu testemunho. 
Aliando o livro à página online, surge a inovadora e prática ideia de fazer esta dieta, com a nutricionista à distância de um clique – no computador, no tablet, ou no telemóvel -, o que permite que eventuais dúvidas e questões que surjam, possam ser esclarecidas em minutos! 
A primeira recomendação - e não se trata de uma imposição - é que quem queira emagrecer, tente faze-lo em companhia. Porque está provado que seguir um plano de emagrecimento acompanhado, aumenta muito as hipóteses de sucesso. 
Faça este caminho com um diet buddy, ou entre num grupo criado e orientado pela nutricionista. Além de perder peso é muito capaz de ainda se divertir.!
HSC 

terça-feira, 18 de abril de 2017

A pós-verdade

Hoje fala-se muito de pós-verdade. Trata-se de um neologismo que descreve uma situação através da qual se pretende criar e modelar a chamada opinião pública de modo a conseguir que os factos objectivos tenham menos influência ou importância do que o apelo às emoções e às ideologias pessoais.
Na cultura política denomina-se política da pós-verdade - ou política pós-factual - aquela na qual o enquadramento do debate assenta em apelos emocionais, desligados dos detalhes da política pública.
Desta forma insistir-se-á sempre na reiterada afirmação de pontos de discussão nos quais os factos são ignorados.
A pós-verdade assenta, assim, na ideia de que “algo que aparente ser verdade é mais importante do que a própria verdade”.
Todavia, para alguns autores a pós-verdade não passa de uma mentira, uma fraude ou uma falsidade, encobertas com o véu do politicamente correcto da "pós-verdade", a qual ocultaria a tradicional propaganda política. 
Depois desta explicação percebe-se bem a utilidade que a expressão encerra e a razão do seu desenvolvimento como instrumento apologético.
A cada um de nós caberá saber distinguir o grau de confiança que merece uma pós verdade e, sobretudo, descobrir aquilo que ela verdadeiramente esconde...

HSC

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A ser verdade...

video

Enviaram-me este vídeo. Não sei se ele é verdadeiro ou não. Mas sei que ele aborda um tema preocupante em Portugal. Com efeito, a nossa taxa andará pelos 1,3% e para mantermos a nossa população necessitaríamos que ela se situasse nos 2,2%. Neste momento, acredito que um dos maiores desafios que nós enfrentamos é, justamente, a baixa taxa de natalidade, a qual só não é ainda mais reduzida porque entre os imigrantes há quem a compense.
Outro assunto para os políticos e especialistas em demografia encararem de frente. O que não tem acontecido...

HSC

domingo, 16 de abril de 2017

Igreja: A entrevista ao Padre Anselmo (6)

Não conheço o Padre Anselmo Borges pessoalmente. O que sei - e é muito pouco -, resulta de alguns textos lidos avulso, das biografias que consultei e, julgo, de uma ou outra participação televisiva que tenha visto. É, portanto, muito pouco para fazer juízos sobre o pensamento de alguém. Mas este é, mais ou menos, o quadro em que a maioria de nós se encontra, quando ouve ou lê intervenções sobre determinadas matérias de que não somos especialistas. Portanto, o que vou escrever até pode ser injusto. Todavia é a expressão do que senti quando, hoje, li a entrevista que ele deu ao jornal Expresso. E porque, creio, outras pessoas podem ter sentido o mesmo, entendi que se justificava escrever estas linhas, tendo o cuidado de ressalvar que, não se tratando de um texto seu, a edição pode ter dado mais ênfase a algumas das suas afirmações. Mesmo que assim seja, o nó górdio da questão permanece. 
Com efeito, a entrevista é titulada pela frase "É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima" a qual escrita entre aspas, leva a admitir que se trata de uma afirmação do entrevistado. Ora se há muita gente que já conhece as suas posições polémicas relativamente à Igreja a que continua ligado, outras haverá que, ao ver este título, se sintam incomodadas. Foi, confesso, um pouco o meu caso, que, admito, poderá ter ficado a dever-se ao facto de serem publicadas numa sexta feira da Paixão e num ano Mariano, no qual o Papa se desloca a Fátima.
Julgo perceber que o Padre Anselmo Borges se referiria à diferença, já estabelecida, entre "visão" e "aparição". Mas para o mais comum dos mortais, esta frase sem uma explicação, confunde os católicos que, como eu, vêem aquele local como algo muito especial da sua fé. 
Por isso, julgo que esta entrevista, nesta altura, ou tem um objectivo concreto que não descortino, ou foi, no mínimo, pouco oportuna. Para não salientar já que, uma vez mais, serão os iletrados que serão confundidos, uma vez que a elite poderá perceber melhor o que ele quis dizer com aquela afirmação. Tenho pena que assim tenha sido!

HSC

sábado, 15 de abril de 2017

Catia Goarmon


Gosto de cozinhar. Quem me conhece, sabe disso. E os cinco livros de cozinha que publiquei ou a extensa biblioteca que possuo sobre a matéria, são  bem a expressão desse gosto.
É isto que explica que siga, sempre que posso, certos programas dedicados a tão velha arte. Além disso, gosto bastante de comer, o que me permite dar largas à imaginação gastronómica, dado que a economia, outra das minhas prendas, está cada vez menos digestiva...
Este intróito serve para dizer que aprecio Cátia Goarmon e os seus programas. É um poço de naturalidade e simpatia, com aqueles imensos olhos verdes que parecem estar sempre a sorrir para nós. O que sinto quando a vejo é que está ali a cozinheira, a mãe e a amiga. E até a partilha com os telespectadores de alguns aspectos da sua vida familiar - que noutra pessoa, talvez fosse menos adequada - nela sai com tanta espontaneidade, que nem sequer nos choca. 
O que mais aprecio nesta senhora é a alegria que irradia e a total ausência de vedetismo. Sendo uma mulher roliça, nem ela nem o operador de câmara fazem qualquer esforço para o esconder, o que, do meu ponto de vista, é uma enorme mais valia no processo de comunicação com o público que se pode sentir mais identificado com ela. 
Enfim, até um certo lado Kitsch - com os seus trabalhos manuais -, que alguns detractores lhe apontam constitui, para mim, um elogio, porque me lembram uma época, de menor consumismo, em que o hábito era fazerem-se os presentes que hoje o dinheiro compra, tirando essa componente pessoal tão esquecida.
Só há algo que não aprecio e que, aliás, é comum nas apresentadoras actuais deste tipo de programas. Trata-se das enormes cabeleiras, penteadas de tal modo, que basta um pequeno movimento de aproximação à comida, para parecer que os cabelos lhe tocam. Francamente, prefiro-a com o seu bom cabelo apanhado, que tanto a favorece. Mas isto sou eu, que tenho uma particular aversão a cabelos na comida!
Tudo o resto merece parabéns e espero que a Catia Goarmon continue na televisão, com o seus olhos verdes e o seu sorriso, a cativar os portugueses para a nossa cozinha!

HSC

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Igreja: As palavras do Papa (5)

Neste tempo de Quaresma, partilho convosco um texto atribuído ao Papa Francisco, pedindo desculpa de ir em espanhol. Mas foi assim que o recebi e julgo que se compreende muito bem.
Seja ou não do nosso Papa, é um belo texto e constitui um excelente tema de meditação na época que atravessamos.

"Puedes tener defectos, estar ansioso y algunas veces vivir irritado, pero no te olvides que tu vida es la mayor empresa del mundo.
Sólo tú puedes evitar que ella vaya en decadencia.
Hay muchos que te aprecian, admiran y te quieren.
Me gustaría que recordaras que ser feliz, no es tener un cielo sin tempestades, camino sin accidentes, trabajos sin cansancio, relaciones sin decepciones.
Ser feliz es encontrar fuerza en el perdón, esperanza en el esfuerzo, seguridad en el palco del miedo, amor en los desencuentros.
Ser feliz no es sólo valorar la sonrisa, sino también reflexionar sobre la tristeza.
No es nadamás conmemorar el éxito, sino aprender lecciones en los fracasos.
No es solamente tener alegría con los aplausos, sino tener alegría en el anonimato.
Ser feliz es reconocer que vale la pena vivir la vida, a pesar de todos los desafíos, incomprensiones y períodos de crisis.
Ser feliz no es una garantía del destino, sino una conquista para quien sabe viajar para adentro de su propio ser.
Ser feliz es dejar de ser víctima de los problemas y volverse actor de la propia historia.
Es atravesar tórridos desiertos, más ser capaz de encontrar un oasis en lo recóndito de nuestra alma.
Es agradecer a Dios cada mañana por el milagro de la vida.
Ser feliz es no tener miedo de los propios sentimientos.
Es saber hablar de sí mismo.
Es tener coraje para oír un "no".
Es tener seguridad para saber recibir una crítica, aunque sea injusta.
Es besar a los hijos, mimar a los padres, tener momentos poéticos con los amigos, aunque a veces algunos de ellos nos hieran.
Ser feliz es dejar vivir a la criatura libre, alegre y simple, que vive dentro de cada uno de nosotros.
Es tener madurez para decir *'me equivoqué'*.
Es tener la osadía para decir *'perdóname'*.
Es tener sensibilidad para expresar *'te necesito'*.
Es tener capacidad de decir *'te amo'*.
Que tu vida se vuelva un jardín de oportunidades para ser feliz...
Que en tus primaveras seas amante de la alegría.
Que en tus inviernos seas amigo de la sabiduría.
Y que cuando te equivoques en el camino, comiences todo de nuevo.
Pues así serás más apasionado por la vida.
Y descubrirás que ser feliz no es tener una vida perfecta,
sino usar las lágrimas para regar la tolerancia.
Usar las pérdidas para refinar la paciencia.
Usar las fallas para esculpir la serenidad.
Usar el dolor para aprender de él.
Usar los obstáculos para abrir las ventanas de la inteligencia.
Jamás desistas...
Jamás desistas de las personas que amas.
Jamás desistas de ser feliz, pues la vida es un espectáculo imperdible!"

HSC

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Os novos cinquentões


“Você sabia que a revista mais vendida no mundo (excluindo as de cunho religiosos) tem como principal assunto o estilo de vida do homem americano de meia-idade com uma tiragem bimensal de 22,5 milhões de exemplares?”

                                  in Linkdin.com

Este excerto fez-me lembrar uma época da minha vida em que fui directora de novos projectos numa empresa para a qual trabalhei durante uns anos.
Foi um periodo muito aliciante, em que lancei quatro revistas. E, quando saí, a minha intenção era, justamente, fazer um produto editorial destinado aos que tinham mais de 50 anos. Já nessa altura intuí que seria um nicho de mercado com crescente potencial.
Não me enganei. O mercado americano, bem típico,  explora este perfil não só no consumo como na mão de obra. Segundo o Centro de Estudos sobre Longevidade de Stanford, calcula-se que até 2020, os trabalhadores com 55 anos ou mais, serão responsáveis por 25% da força de trabalho, em comparação com apenas 13% em 2000.
Com efeito, muitos dos negócios de sucesso nos Estados Unidos foram iniciados por pessoas que já tinham mais de 50 anos. Basta lembrar empresários como Colonel Sanders, do KFC (Kentucky Fried Chicken) de 65 anos, Raymond Croc, fundador da rede de fast food McDonald's de 52 anos e John Pemberton, fundador da Coca Cola de 55 anos que com McDonald's, está no top 5 das marcas mais valiosas do mundo.
Porque é que os "cinquentões" norte-americanos são tão produtivos? A explicação pode residir no facto de serem mais saudáveis e, sobretudo, por terem uma escolaridade cada vez maior.
Outro factor que se presume também seja determinante é a chamada inteligência emocional. Hoje, a maioria das profissões procura, além do conhecimento técnico, um grau razoável de inteligência emocional. Esta combinação é, mesmo, nalguns casos, um pré-requisito ponderável em processos selectivos ou de promoções.
Uma pesquisa da Universidade de Berkeley mostra que o pico da nossa inteligência emocional se atinge quando entramos na casa dos 60 anos.
Por outro lado, além da área profissional, o consumo deste público é mais selectivo e dá mais valor não só aos detalhes do  que compra como ao atendimento que lhe é prestado.
Com maior longevidade, autonomia, qualidade de vida e independência financeira, a terceira idade está a tornar-se uma grande força no mercado do consumo, revertendo a velha noção de que só os jovens é que gastam.
Experiência e força emocional constituem os grandes activo e atractivo destes cinquentões. Por isso, convém que aqui na Europa – com algum atrazo, tudo acaba por cá chegar -, as empresas não os ignorem e estejam atentas. É que os maiores de 50 anos, além de selectivos influenciadores do mercado agora, continuarão a se-lo, ainda mais, num futuro bem próximo!

HSC

Nota: Não gosto especialmente de Clooney. Gosto apenas do café que ele promove. Mas tem tantas admiradoras que lá o escolhi para a foto...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Entre o nascimento e a morte


Hoje, ao fim da noite, liguei a televisão. Foi um gesto tão automático como ligar o micro ondas para aquecer um alimento que não foi acabado de fazer. O que significa não ser frequente ligar o aparelho, já que aprecio bastante comer aquilo que preparo. Luxos, enfim, aos quais ainda tenho acesso, já que gosto muito de cozinhar e não gosto menos de mim...
Eis senão quando apanho uma entrevista feita ao médico Gentil Martins que, aos 86 anos, é um exemplo de vitalidade e de alegria de viver, pese embora o dramático mister a que se dedica, de lutar contra a morte e contra o que a vida, às vezes, traz de imperfeições ás crianças.
Dizia ele que o nascimento e a morte são secundários, O que, sim, verdadeiramente conta, é o que fazemos entre esses dois momentos da existência. O entrevistado constitui, sem dúvida, um bom exemplo do que afirma!

HSC

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Igreja: A Bíblia (4)

“...Pensar que o estudo da Bíblia e as suas traduções só merecem confiança, se forem obra de clérigos e de editoras católicas submetidos ao Imprimatur episcopal, é supor que a Bíblia é propriedade privada de empresas confessionais. Que os responsáveis das comunidades católicas zelem pela formação bíblica dos seus membros e pelas expressões da fé cristã é o mínimo que se lhes pode pedir. Infelizmente, nem sempre cumprem esta missão.
Ninguém tem o monopólio da Bíblia e só há vantagens em que seja reconhecida e trabalhada como o Livro dos livros, a expressão das raízes judeo-cristãs da civilização ocidental. Há muito a fazer para se tornar parte activa da cultura portuguesa, nas suas diversas expressões...”

            (Excerto do artigo de Frei Bento Domingues no jornal Público)

Decerto a maioria dos leitores deste blog terá visto a tradução da Bíblia de Francisco Lourenço, que inundou as nossas livraria no mês de Março. Este projecto que a Quetzal assumiu, não se limita a uma nova tradução do Novo Testamento, do qual já existem várias, de diversos estilos, mas à tradução de toda a Bíblia Grega, judaica e cristã.
Neste tempo de Quaresma não é despiciendo lembrar o que representou esta ciclópica tarefa, levada a cabo por um académico a quem não são conhecidas quaisquer filiações religiosas. É um bom tema de meditação num país que tem um conceito muito restrito do que possa ser o pensamento universal.

HSC

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Qual será pior?


A três semanas das eleições francesas, o jogo está longe de  se poder considerar decidido e os cenários possíveis deixam muito a desejar.
Jean-Luc Mélenchon, Benoit Hamon, Emmanuel Macron, François Fillon e Marine Le Pen têm, nas sondagens – que, como se sabe, são cada vez menos fiáveis - percentagens que não se diferenciam muito e que só se irão destacar, na final, por transferência do chamado voto útil.
A conclusão possível parece, assim, saltar à vista, com  qualquer destes candidatos a poder passar à segunda volta. O que eventualmente significará que a França irá escolher... um péssimo presidente e que essa escolha afectará, também, a Europa!


HSC

domingo, 2 de abril de 2017

A venda do Novo Banco

Do que li e numa tentativa de compreender o que representa a solução escolhida para o Novo Banco, consigo resumi-la nos seguintes pontos
1. Os bancos perderam, até agora, em termos de prejuízos acumulados, cerca de 14 mil milhões de euros e o retorno do capital próprio continua em terreno negativo.
Pode, assim, deduzir-se que este negócio não é muito rentável para os accionistas destas instituições.
2. Os bancos devem ser rentáveis. O que significa que o panorama da banca europeia e também da nacional, deverá ser mudado. Essa mudança imporá um esforço de inovação na prestação dos seus serviços.
3. O Novo Banco irá ter de enfrentar esse desafio, com a agravante de que ainda possam pairar sobre ele contingências de todo o processo de resolução do antigo Banco Espírito Santo.
4. Tais contingências constituem um factor de risco e de alguma incerteza que pode perturbar a sua avaliação.
5. Além disso e apesar do que o governo continua a anunciar, as perdas imputáveis a todo este processo vão estar no Fundo de Resolução, e vão ser suportadas pelos bancos nos próximos 30 anos.
6. O que significa que vamos todos contribuir … porque os bancos, ao pagarem ao Fundo de Resolução, vão, necessariamente fazer repercutir esse custo nas suas operações.
7. Acresce que o Estado, como accionista, vai assumir um risco que pode correr bem ou pode correr mal. Se a operação correr muito bem e o banco se valorizar, a participação do Estado valorizar-se-á e o Estado ganhará com isso. Mas se houver problemas no banco, se correr mal, o Estado vai ter de suportar os custos dessa situação.
8. E isto apesar de tal participação ser detida pelo Fundo de Resolução, em vez de ser detida pelo Estado.
9. Assim, parece que o que se pretendeu, de facto acautelar nesta solução, terá sido uma exigência a nível comunitário.
10. É o que se pode deduzir do que está a passar-se com a Caixa Geral de Depósitos, que, segundo foi anunciado, precisará de reduzir o seu pessoal e de fechar balcões.
11. O mesmo se iria passar no Novo Banco se a opção fosse a nacionalização. Portanto, a ideia de que nacionalizando a instituição, isso permitiria preparar o banco para o vender melhor mais tarde, não é muito crível.
12. Com efeito, o banco, enquanto entidade estatal, iria ser confrontado com pressões e resistências políticas que o iriam impedir de prosseguir o seu caminho no sentido da sua valorização.
13. Assim, é do interesse do país e do sistema financeiro que este problema se resolva de uma vez por todas, já que a experiência mostra que quanto mais tempo demoramos a resolver estas querelas, maior será, por norma, a factura que vamos ter de pagar.
14. Esta é, aliás, no fundo, a grande lição que devemos a tirar do caso BPN.

Parece, então, que destes quinze pontos se poderá concluir que:
A - a solução encontrada, nas actuais circunstancias, sendo má, terá sido a menos má de todas as outras possíveis.
B – é quase certo que,  de forma directa ou indirecta, todos iremos pagar esta factura.

HSC


Em tempo: Todas as notícias que vêm sendo dadas posteriormente a este post só confirmam que os contribuintes, uma vez mais, irão ser chamados a pagar. Para além do facto de esta venda parecer tudo menos uma venda...