domingo, 20 de maio de 2018

Um novo bispo para Portugal



O bispo de Leiria-Fátima vai ser criado cardeal no dia 29 de Junho. A sua nomeação foi publicada hoje. António Marto está à frente da Diocese de Leiria-Fátima desde Junho de 2006.
O trabalho que tem desenvolvido foi marcado pelas visitas ao Santuário dos Papas Bento XVI e Francisco, pelas cerimónias de canonização dos videntes Francisco e Jacinta Marto — aliás presididas pelo atual pontífice quando do centenário das “aparições” — e pela abertura da Basílica da Santíssima Trindade.
A partir do próximo consistório, o prelado irá juntar-se, no Colégio Cardinalício, a José Saraiva Martins, Manuel Monteiro de Castro e Manuel Clemente.
Natural de Tronco, no concelho de Chaves, onde nasceu a 5 de Abril de 1947, foi ordenado padre em Roma, a 7 de Novembro de 1971, tendo feito estudos de especialização em Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade Gregoriana, onde também fez a licenciatura e o doutoramento, que concluiu com a tese sobre “Esperança cristã e futuro do homem. Doutrina escatológica do Concílio Vaticano II”.
Atualmente é vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e foi presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e a Doutrina da Fé.
É, julgo, mesmo para não crentes, um motivo de orgulho nacional, que Portugal  possa, neste momento e à sua dimensão, contar com quatro bispos.

HSC

Uma oportuna história de amor...


Como não sou intelectual, não tive quaisquer pruridos em ver o espectáculo do casamento do filho mais novo de Diana de Gales. E, confesso, apesar de ser republicana, ele conseguiu, por umas horas, aliviar-me das tormentas nacionais e apreciar o mixed daquela cerimónia onde os cruzamentos religiosos não pediram licença a ninguém para se manifestarem. Acresce que não estando politicos, o evento tornou-se, logo, bem mais capitoso...porque nos ficámos pelas figuras das revistas cor de rosa.
Dure o que durar esta "união", não há dúvida que Megan foi uma lufada de ar fresco numa família que - para sobreviver - tem tido que adaptar-se às "circunstâncias". O que, nos tempos que correm, já não é nada mau sinal. Sobretudo, se nos lembrarmos dos "happenings" pelos quais a mesma tem passado. Aliás, convenhamos, o facto é que têm sido as "plebeias" a manterem vivas as actuais casas reais!
Os convidados, esses, darão para encher as colunas sociais. E os chapéus das mulheres darão, só por si, para altos estudos de sociologia da moda. 
Contas feitas, o  país mais democrático da Europa, continua a regalar-nos com as suas reais e oportunas "histórias de amor". Essa é que é essa!

HSC

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Um vendaval

Não sei o que estará por detrás deste vendaval de corrupção, intriga e violência que assola o nosso país. É desolador abrir um jornal ou a televisão nacional e ser confrontado com tal tipo de notícias, que dão do país uma imagem deplorável. Sobretudo, quando se ama a terra onde isto acontece.
A turbulência é de tal modo violenta, que duvido que, alguma vez, o julgamento destes processos não esteja, à partida, enviesado pelo juizo feito na praça pública. 
Sei que o tempo da Justiça não é o tempo mediático. Sei que os jornalistas fazem o seu trabalho, denunciando o que entendem dever ser do conhecimento público. Sei igualmente, que conciliar estas duas posições - julgar sem influências e informar sem julgar - é muito difícil. Mas todos temos direito a uma sentença imparcial e isso é quase como pedir a um juiz que seja santo. 
Por isso, o jornalista sério confronta-se, hoje, com o terrível dilema de ponderar entre o dever de informar e as consequências que podem advir do "modo" como essa informação é veiculada. Perante imagens como aquelas que temos visto, confesso, não deve ser fácil impedir o vendaval que se abateu sobre todos nós!

HSC

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Uma experiência enriquecedora


Esta semana, à semelhança do que vem acontecendo há já alguns anos, fiz parte no CEJ - Centro de Estudos Judiciários - dos juris de admissão dos futuros novos magistrados. Mais uma vez foi uma enriquecedora experiência de vida. 
Enquanto elemento da sociedade civil, estes exames constituem, para mim, um observatório privilegiado para que a cidadã que sou, possa perceber o que é estar de um lado e do outro da "barricada" e, desse modo, ter uma noção mais realista das dificuldades que comporta a administração da Justiça.
Ao longo destes anos tenho assistido ao esforço que muita gente vem desenvolvendo para que o juiz esteja cada vez mais próximo do cidadão e dos seus problemas. Devo, por isso, confessar que, tendo apenas passado duas vezes pelos tribunais como testemunha tenho, agora, uma percepção muito mais apurada do que representa "julgar". 
E, se o trabalho é esgotante - e, de facto, é - considero que a mais valia que ele me tem proporcionado compensa amplamente o esforço dispensado.

HSC

domingo, 29 de abril de 2018

O tempo e a vida

Com este Abril, para mim desolador, conto os dias até ao 1 de Maio, data em que o meu filho Miguel faria sessenta anos. Esta semana é duríssima de passar, porque sempre sonhei que seria uma data a celebrar. Por ele que os fazia e por mim que estava viva e assistia. Não quis o destino que assim fosse. Os amigos sabem, a familia sabe, mas ninguém sabe como proceder.
A vida tem destas dificuldades. Queremos ajudar a suavizar o sofrimento de alguém, mas não encontramos o caminho certo para o fazer. No meu caso concreto, são sete dias mais ou menos silenciosos e a única quebra que faço é talvez o que escrevo neste blogue.
Creio que todas as coisas importantes que acontecem na nossa existência carecem, no imediato, de um profundo silêncio interior. Só quando este está verdadeiramente terminado é que o espírito se abre ao quotidiano e nós estamos capazes de falar sobre aquilo que nos silenciou.
Ao longo da minha vida terei tido cinco ou seis momentos destes. O penúltimo terá sido quando decidi deixar o Banco de Portugal para começar uma nova carreira, que nada tinha de seguro, mas que correspondia a um sonho muitas vezes adiado. Nessa altura precisei, também, de um período silencioso, de uma espécie de caminhada interior ou, melhor, de uma peregrinação intima da qual jamais me arrependi.
São tempos essenciais para, afinal, tentarmos ficar de bem com a vida!

HSC

terça-feira, 24 de abril de 2018

Mais um ano


Passa hoje, neste malfadado mês de Abril, que risquei do calendário, mais um ano que o meu filho Miguel me deixou. Sempre acreditei que o tempo seria o grande obreiro da memória, atenuando quer a dor quer a forma como o lembrava. É mentira.
A dor foi-se entranhando fundo, como um espinho. E a memória está cada vez mais viva. Uma só consolação me resta que é de já quase não me lembrar da sua actividade política.
Recordo risos, recordo conversas, recordo até algumas discussões que tivemos, sempre pelo mesmo motivo, que era a minha profunda convicção de que só trabalho dignifica as pessoas. 
É esse Miguel, livre de constrangimentos de qualquer natureza, que eu mais relembro e do qual tenho cada vez mais saudades. Digamos que, por fim, consegui o prodígio de ter afastado totalmente das minhas lembranças, a sua vida política. Hoje elas são, exclusivamente, do "meu filho" e é apenas o "meu Miguel", que agora choro na intimidade daqueles que me são caros!

HSC

domingo, 22 de abril de 2018

Assim não vais longe...


Depois de duas semanas de um tempo miserável e de uma televisão que se concentrou nas corrupções nacionais, achei que era altura para arejar nem que fosse a ver uma qualquer idiotice que me fizesse rir e me mostrasse que há vida para alem do deficit. 
Nesta perspectiva decidi-me por uma comédia francesa, em cartaz nas Amoreiras. Não conhecendo actores nem realizador, estava reunida a possibilidade de ir ver uma tremenda idiotice. Mas nada seria pior do que ficar em casa, a ouvir as nossas notícias. Pois bem, tive uma agradável surpresa. 
"Assim não vais longe" é uma comédia light, sem lamechices e que prova o trabalhão que dá manter uma mentira até ela ser descoberta. Nada que os mentirosos compulsivos não saibam já. Mas, de vez em quando, é bom lembrar quem já esqueceu...
Saí bem disposta, ri um bom bocado e, por momentos, pareceu-me viver num país normal e sem tropelias. Mas, claro, quando cheguei a casa e liguei o icónico aparelho, tudo voltou ao que era antes. Uma pena!

HSC