sexta-feira, 22 de setembro de 2017

À espera...

Ainda não é o momento para a remodelação da Proteção Civil, disse a ministra da Administração Interna quando falava aos jornalistas em Portalegre, por ocasião da cerimónia de Compromisso de Honra de 319 guardas provisórios da GNR - 273 homens e 46 mulheres - acrescentando que no momento ainda "não havia novidades" em relação aos relatórios sobre os incêndios florestais.
Aproveitou a ocasião para esclarecer que existia uma investigação de natureza criminal em curso, uma série de relatórios que ainda estavam para ser entregues, nomeadamente da comissão independente criada no seio da Assembleia da República, o que previsivelmente, só em Outubro aconteceria.
De acordo com a governante, quando os relatórios forem entregues "serão analisados e serão, naturalmente, divulgados".

Neste assunto dos incêndios, confesso, não percebo como é que decorridos cerca de quatro meses sobre a desgraça desta gente, “ainda” se está à espera de relatórios!


HSC 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Essa Lisboa perdida

Nem sei porque me lembrei de Veneza. Estive lá sempre no Verão e a altura não é a mais recomendável. Guardo da cidade uma impressão semelhante à que guardo de Nova Deli. São locais de que certamente gostaria se os tivesse visitado numa época diferente. Aconteceu agora o mesmo com a nossa capital.
Fui ao Terreiro do Paço e soçobrei. A quantidade de gente, a confusão de línguas, a falta de qualidade com que se é atendido, deram-me a noção de que nunca mais veria aquele local como sempre o conheci, até à invasão perversa, de um turismo que só ajuda às contas do país. 
Já não há um local em que possamos estar uns minutos descansados a olhar o mar , num intermezzo até à hora de nos juntarmos a família. A Lisboa que eu conheci deixou de existir e não tornará mais. 
O trânsito muda e não se percebe porquê. Os sentidos são invertidos, as ruas fechadas, as bicicletas ultrapassam pela direita e pela esquerda e o cidadão comum chega a casa morto.
Mal meti chave à porta estatelei-me - é a única expressão válida - no sofá e fiquei meia hora sem tugir, numa espécie de "entre lá e cá". Quando retornei à realidade, pensei com alguma tristeza que a capital que eu conheci não existia mais e a actual não consegue cativar-me. O mais curioso é que, no meio disto tudo, parece que o povo irá votar no dia 1 de Outubro, ou seja daqui a 10 dias. Em quê, pergunto eu?

HSC 

Para meditar...

video

São vídeos destes que alguns sindicatos deveriam ver...

HSC

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Quem sabe, sabe...


«El referéndum no va a tener lugar y es un disparate absurdo, un anacronismo que no tiene nada que ver con la realidad de nuestro tiempo, que no está por la construcción de nacionalidades, sino al contrario, por el desvanecimiento de las nacionalidades dentro de grandes organizaciones comunes como Europa. [...] El nacionalismo es una enfermedad que desgraciadamente ha crecido de manera lamentable en Cataluña. Mi esperanza es que el Gobierno tenga la energía suficiente para impedir que un golpe de Estado — que es lo que está realmente en gestación — tenga lugar y reciba la sanción que corresponde.»


              Vargas Llosa , in http://daliteratura.blogspot.pt/

O escritor fez estas declarações em Madrid, hoje à tarde. Por norma, interessa-me mais a obra de um autor do que o seu pensamento político. Mas Vargas ultimamente tem surpreendido com a triste publicidade feita ao seu romance com Isabel Presley. Julgo que também aqui, a sua vida sentimental é a ultima coisa que interessará os seus leitores, sobretudo quando, como ele, já se passou o patamar dos oitenta. 
Enfim, há casos em que a idade não perdoa e o risco dos excessos é enorme. Como diria o diácono Remédios "não havia necessidade"....

HSC

Parole, parole, parole

«A minha classificação sobre as agências de rating é que são lixo. Foi por isso que rescindi, aliás, o contrato com todas quando era presidente da Câmara de Lisboa. É uma gente que já demonstrou não ser minimamente credível, fiável.»

                                                  António Costa

Às vezes é melhor estar calado. Ou antes ou depois!

HSC

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O maravilhoso mundo da política

O texto que se segue são retalhos de um outro maior, intitulado "O Retrocesso da Razão", de Alexandre Homem Cristo, no jornal on line Observador, a propósito de uma certa plêiada política qualificar Passos Coelho como xenófobo e Henrique Monteiro como fascista.
Trata-se, evidentemente, de dois insultos proferidos por aqueles que se consideram os arautos da verdade absoluta e cuja noção de democracia é tão básica que só insultando entendem convencer os papalvos. 
O debate político em Portugal está profundamente contaminado e há-de acabar por levar a um completo desinteresse da política e a uma enorme abstenção. Tenho, como devem calcular, uma longa e dolorosa experiência desta matéria no campo familiar...

"Como se reconhece um fascista? A pergunta pesa e, para lhe dar resposta, há que começar pela base: o que define um fascista? Ora, aqui há dois caminhos possíveis. Por um lado, pode entender-se “fascista” através da sua definição literal – alguém que defende um Estado autoritário e repressor das liberdades individuais, que persiga minorias sociais, que abale o Estado de Direito, que suprima os freios e contrapesos das instituições republicanas, que sufoque o pluralismo, que oprima através da violência. Ou, por outro lado, pode optar-se pelo uso popular e entender-se “fascista” como um termo retórico para insultar qualquer indivíduo ou ideia que, independentemente do motivo, nos desagrade. Isto é, como uma muleta de debate que, com o objectivo de desqualificar o adversário (geralmente de direita), descobre nele uma associação (por muito indirecta que seja) ao fascismo – sendo irrelevante a sua plausibilidade. Ora, se o primeiro caminho é o lógico e correcto, o segundo é aquele que se vê ser percorrido a galope no debate público, onde se desvenda um “fascista” em cada canto dos jornais. E se a definição que conta é mesmo a segunda, então o processo de reconhecimento fica simplificado: “fascista” é aquele de quem não se gosta.

... O ponto é que o debate público está inviável. Não se discute, desqualifica-se a posição contrária. Não se olha aos factos, inventam-se associações degradantes. Não se procuram evidências, seguem-se emoções. Não se respeitam os adversários, convertidos em inimigos a abater sem escrúpulos. Não se pensa, insulta-se. Não se cede, impõe-se a força da maioria. E, portanto, geram-se trincheiras em vez de pontes e cisões em vez de consensos. Sim, dito assim parece assunto transitório e sem importância. Mas um regime democrático, que por definição vive de compromissos, não passa por isto sem feridas profundas."

Este texto é o paradigma do que penso, hoje, da política em Portugal. 
Democracia? Onde? Só, como se vê, para alguns. Os outros, são meros proscritos a quem podemos democraticamente insultar!

HSC

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A paz demorou pouco ...

Estava eu toda contente, ontem, por partilhar as preocupações do Dr Mario Centeno, quando zut! ele hoje esclareceu que, afinal, aquela "boca" do alívio fiscal não é para todos. É só para os mais pobres. Mas sabem? Eu não acredito muito, porque a taxa também era para desaparecer este ano e nada. Uns sim. Outros não. Enfim o entendimento e a paz foram por curto espaço de tempo.
Parece que o ministro das finanças julga que tributar o trabalho é o mesmo que tributar o dinheiro. Não é. E é grave que ele não faça a diferença. É que duas pessoas com o mesmo rendimento, obtido pelo labor ou por herança, não são fiscalmente iguais. Quando se tributa demais o trabalho, as pessoas preferem dedicarem-se a actividades não tributadas, a trabalhar menos, ou até a deixarem de trabalhar.
Foi o que fiz depois do que paguei o ano passado. É que, feitas as contas, trabalhei sete meses para o Estado e cinco para mim. Confesso, não me agradou nada e parei. Sobretudo, quando se tem mais de sessenta anos de labor, como é o meu caso.
Não mudo de carro, não compro novo computador, não sairei tanto, reduzo horas de limpeza, não comerei certas coisas, mas fico com tempo para mim. Tomei esta opção há três meses e sinto-me muito bem com ela. Perdi dinheiro, mas ganhei tempo. E este, por enquanto, ainda não paga imposto! 

HSC